Capítulo 1

Primeiro ele firmou os pés na plataforma de metal liso, brilhante, diante da luz do Sol. Os braços pegaram duas fivelas que se conectaram na altura de seu abdômen. A mochila estupidamente futurista estava bem presa nas costas. Nos pulsos, tinha dispositivos, que com seus botões acionados, se alongaram até suas palmas. Ele segurou as duas ferramentas, seguido de um estalido na parte inferior da mochila. Uma chama azulada pulsou uma vez e explodiu mais forte, jogando-o às alturas.

Ainda não tinha se estabilizado o voo. A força nas mãos e o manuseio ousado lhe davam boa desenvoltura, estabilizando a sua direção. A máquina o levaria até onde quisesse e só pararia com a sua ordem. Algo que ele teria que saber quando fizesse. Queria mais do que tudo subir até outras galáxias. Mas sabia que isso não era possível. Ter aquela máquina voadora nas mãos, um dia também fora impossível.

O nível onde as nuvens rodeavam as mais altas montanhasficava para trás em uma bela imagem. O tapete fofo se estendida à frente de sua visão. O frio se tornava insuportável e suas roupas não eram ideais para aquilo. Um novo controle nas mãos mudou sua direção e o voo se tornou horizontal. Preferiu plainar sob as nuvens, pois a visão dos terrenos verdejantes, cabendo-lhe nas palmas agora, lhe agradavam ao extremo. Aquelas mesmas palmas que ele não podia esticar, pois perderia o controle do vôo. Olhando para os seus controles, não reparou no avião se aproximando em alta velocidade. Um tornado o rodopiou no ar e tudo começou a girar em alta velocidade. Agora ele dependia apenas da própria mente.

O controle do avanço no ar começou a ser passado, primeiro sendo estimulado pelos seus neurônios, atravessando seu corpo e saindo pelas suas mãos, dando àquela vibração a máquina voadora, que se desligou por um breve instante e se ligou novamente, com menos voracidade. Com isso seu voo novamente se estabilizou, assim como seu coração. Mais uma investida e a máquina o jogou para frente. Naquele momento, teve a certeza de que tudo tinha valido a pena.

Ele encontrou um furo de raio enorme sobre o carpete branco de nuvens. Seu instinto foi mergulhar e dirigir-se a ele. O que ele não sabia é que aquilo não era um mero furo entre as nuvens que o levaria apenas sob elas. Aquilo era uma passagem. Uma passagem para um futuro maior. Um futuro jamais conhecido pelos homens de hoje. A vibração de estética lhe tomou por completo e ele sentiu uma força lhe puxando para dentro. Adiante via uma luz ofuscante, cheia de cordas elétricas explodindo por todos os lugares. Em dado momento, ele sentiu todos os seus membros formigarem e uma imagem explodiu na sua frente.

Aquela era uma cidade onipotente, digna de filmes de ficção científica. As pontes se avantajavam a centenas de metros de altura, cortando-seentre si e gerando outras saídas. As luzes eram tão fortes que ele pensou que aquelas sim poderiam ser vistas perfeitamente do espaço. Agora ele começaria uma nova trajetória de vida, para um mundo maior.